Estudo verso a verso

Marcos 3 · Notas

Provisório

Guia de Leitura
Texto Principal: Tradução primária — legível, mas fiel à estrutura grega. Notas: Recursos gregos essenciais logo abaixo de cada versículo.

Como o texto é marcado:
Palavras em itálico — acrescentadas para a gramática do português (não estão no texto grego)
vento/espírito — uma palavra que o grego deixa aberta a dois sentidos, ambos mantidos
"…" — fala direta de Deus ou de Yeshua (Jesus)

As notas são marcadas por tipo — Crítico · Lexical · Gramatical · Teológico — cada uma com sua cor (veja a legenda no topo da visão de Notas).

Este capítulo transforma conflito em formação. A cura no sábado da mão ressequida desencadeia o primeiro plano de morte (3:6). Yeshua se retira para o mar em meio a multidões imensas, silencia os espíritos impuros que o nomeiam, designa os Doze, e responde à acusação de que expulsa demônios por Beelzevul — incluindo o dito sobre uma blasfêmia imperdoável "contra o vento/espírito santo." Ele redefine família em torno de fazer a vontade de Deus. Marcos usa imagens de "reino" e "casa"; a fala divina de Yeshua é marcada por toda parte.

CríticoLexicalGramaticalTeológico

Complementar — padrões ao longo do capítulo

1

E ele entrou novamente na sinagoga, e havia ali um homem que tinha a mão ressequida.

"MÃO RESSEQUIDA" — *EXĒRAMMENĒN

ἐξηραμμένην … τὴν χεῖρα (
exērammenēn … tēn cheira*) = "a mão ressequida/seca." O particípio perfeito implica uma condição estabelecida, crônica. O artigo definido ("a mão") trata a aflição do homem como conhecida.
2

E eles o vigiavam de perto, para ver se ele o curaria no sábado, para que pudessem acusá-lo.

"VIGIAVAM DE PERTO" — *PARETĒROUN

παρετήρουν (
paretēroun*) = "vigiavam de perto / estavam à espreita." O imperfeito sinaliza vigilância sustentada e hostil; o objetivo é uma acusação (κατηγορήσωσιν), não compreensão.
3

E ele diz ao homem que tinha a mão ressequida: "Levanta-te para o meio."

"PARA O MEIO" — ATO PÚBLICO
- ἔγειρε εἰς τὸ μέσον (egeire eis to meson) = "levanta-te para o meio." Yeshua torna a cura deliberadamente pública, confrontando a vigilância diretamente. Marcada como fala divina (Regra 30 — Yeshua falando).
4

E ele lhes diz: "É lícito no sábado fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou matar?" Mas eles ficaram em silêncio.

CRÍTICO — "FAZER O BEM … OU MATAR?"
- ἔξεστιν τοῖς σάββασιν ἀγαθὸν ποιῆσαι ἢ κακοποιῆσαι, ψυχὴν σῶσαι ἢ ἀποκτεῖναι = "É lícito no sábado fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou matar?" A pergunta reformula o sábado em torno de preservar a vida (um princípio reconhecido: salvar a vida prevalece sobre o sábado). O pareamento contundente expõe os vigias, que pretendem o mal (v.6) no próprio dia em que proibiriam a cura. "Eles ficaram em silêncio" (ἐσιώπων). Confiança: VERIFICADA [TEXTUAL]. Marcada como fala divina (Regra 30).
5

E olhando ao redor para eles com ira, contristado pela dureza do coração deles, ele diz ao homem: "Estende a mão." E ele a estendeu, e a sua mão foi restaurada.

CRÍTICO — A IRA E O PESAR DE YESHUA
- μετ᾽ ὀργῆς, συλλυπούμενος ἐπὶ τῇ πωρώσει τῆς καρδίας αὐτῶν = "com ira, contristado pela dureza do coração deles." Só Marcos registra a ira e o pesar de Yeshua (Mateus e Lucas os omitem). πώρωσις (pōrōsis) = "endurecimento/insensibilidade." A cura é só por palavra ("estende a mão"); nenhuma obra é realizada pelas mãos de Yeshua. Confiança: VERIFICADA [TEXTUAL]. Marcada como fala divina (Regra 30).
6

E os Perushim (Fariseus), saindo, imediatamente tramavam com os Herodianos contra ele, quanto a como poderiam destruí-lo.

CRÍTICO — O PRIMEIRO PLANO DE MORTE
- συμβούλιον ἐδίδουν … ὅπως αὐτὸν ἀπολέσωσιν = "tramavam … como poderiam destruí-lo." Já no capítulo 3 a oposição se torna letal. Os Ἡρῳδιανοί (Hērōdianoi, "Herodianos") — apoiadores da dinastia herodiana — são em outros aspectos opostos aos Perushim (Fariseus); a sua aliança mostra a amplitude da hostilidade. O plano de morte emoldura todo o Evangelho. Confiança: VERIFICADA [TEXTUAL].
7

E Yeshua (Jesus) se retirou com os seus discípulos para o mar, e uma grande multidão da Galil (Galileia) o seguiu; e da Yehudah (Judeia)

RETIRADA + MULTIDÃO CRESCENTE
- ἀνεχώρησεν (anechōrēsen) = "se retirou" — um recuo estratégico diante do plano, e contudo as multidões só crescem. O catálogo geográfico (vv.7–8) enfatiza o alcance da sua fama.
8

e de Yerushalayim (Jerusalém) e da Idumeia e dalém do Yarden (Jordão) e dos arredores de Tsor (Tiro) e Tsidon (Sidom), uma grande multidão, ouvindo o que ele fazia, veio até ele.

TSOR, TSIDON — TRANSLITERAÇÃO TT
- Τύρος (Tyros) = Tsor (Hebraico צֹר); Σιδών (Sidōn) = Tsidon (Hebraico צִידוֹן) — cidades costeiras fenícias. Ἰδουμαία (Idoumaia) = Idumeia (Edom). A lista abrange regiões judaicas e adjacentes aos gentios, norte e sul.
9

E ele disse aos seus discípulos que um pequeno barco ficasse à sua disposição por causa da multidão, para que não o comprimissem;

O BARCO COMO REFÚGIO
- πλοιάριον (ploiarion) = "pequeno barco." O motivo da pressão da multidão (1:33,45; 2:2) se intensifica; o barco mantém uma escapatória de ser esmagado (θλίβωσιν, "comprimir").
10

pois ele curou muitos, de modo que caíam sobre ele para o tocar — todos os que tinham aflições.

"AFLIÇÕES" — *MASTIGAS

μάστιγας (
mastigas*) = literalmente "açoites/chicotes" — usado figurativamente para doenças ("aflições/flagelos"). Eles "caíam sobre ele" (ἐπιπίπτειν) para o tocar, esperando cura por contato.
11

E os espíritos impuros, sempre que o contemplavam, caíam diante dele e gritavam, dizendo: "Tu és o Filho de Deus."

CRÍTICO — A CONFISSÃO DOS ESPÍRITOS (NÃO FALA DIVINA)
- σὺ εἶ ὁ υἱὸς τοῦ θεοῦ (sy ei ho huios tou theou) = "Tu és o Filho de Deus." Dito pelos espíritos impuros — um falante não-divino — de modo que não é marcado como fala divina (Regra 30), exatamente como em 1:24. Os demônios conhecem a sua identidade; o motivo do segredo messiânico exige silenciá-la (v.12). A TT registra as palavras deles em aspas comuns.
12

E ele os advertia severamente muitas vezes que não o tornassem conhecido.

SILÊNCIO MESSIÂNICO ESTENDIDO
- πολλὰ ἐπετίμα (polla epetima) = "advertia severamente muitas vezes." O silenciamento cobre agora a confissão de filiação dos demônios (cf. 1:34). O segredo se estende dos milagres à identidade.
13

E ele sobe à montanha e chama a si aqueles a quem ele mesmo queria, e eles foram até ele.

A MONTANHA; "A QUEM ELE QUERIA"
- τὸ ὄρος (to oros) = "a montanha" — um lugar de revelação/designação no padrão da BH (Sinai). οὓς ἤθελεν αὐτός = "a quem ele mesmo queria" — a iniciativa é inteiramente dele.
14

E ele fez doze, [aos quais também nomeou emissários,] para que estivessem com ele e para que ele os enviasse a proclamar

CRÍTICO — "FEZ DOZE" + VARIANTE TEXTUAL
- ἐποίησεν δώδεκα (epoiēsen dōdeka) = "ele fez doze." O número evoca as doze tribos de Israel — uma reconstituição simbólica. A cláusula "[aos quais também nomeou emissários]" (ἀποστόλους, apostolous, "os enviados") é textualmente disputada (presente em א, B, C* entre outros; ausente de outros — possivelmente importada de Lucas 6:13); NA28 a coloca entre colchetes. Os dois propósitos — "estar com ele" e "ser enviado" — definem o papel. Confiança: INCERTA [TEXTUAL] (para a cláusula entre colchetes).
15

e a ter autoridade para expulsar os demônios.

AUTORIDADE DELEGADA — *EXOUSIA

ἐξουσίαν (
exousia*) = "autoridade" — a mesma palavra de 1:22,27; 2:10. Os Doze recebem uma parte na autoridade que Yeshua exerce (proclamação + exorcismo).
16

[E ele fez os doze,] e pôs o nome Kefa (Pedro) em Shimon (Simão),

KEFA — TRANSLITERAÇÃO TT
- Κηφᾶς / Πέτρος → Kefa (Pedro): Aramaico כֵּיפָא (Kefa, "rocha"), vertido para o grego como Petros. Marcos diz que ele "pôs o nome" (ἐπέθηκεν ὄνομα) em Shimon — uma renomeação com significado. A abertura "[E ele fez os doze]" repete o v.14 e é textualmente incerta.
17

e Ya'aqov (Tiago) o filho de Zavdai (Zebedeu) e Yochanan (João) o irmão de Tiago — e pôs sobre eles o nome Boanerges, que é "filhos do trovão" —

BOANERGES — A GLOSA DO PRÓPRIO MARCOS
- Βοανηργές, ὅ ἐστιν Υἱοὶ Βροντῆς (Boanērges, ho estin Huioi Brontēs) = "Boanerges, que é 'filhos do trovão.'" Marcos translitera um apelido semítico e o glosa ele mesmo — um hábito marcano recorrente (cf. 5:41; 7:34; 15:34). A TT mantém a transliteração e a própria tradução de Marcos.
18

e Andreas (André) e Philippos (Filipe) e Bar-Talmai (Bartolomeu) e Mattai (Mateus) e Toma (Tomé) e Ya'aqov o filho de Chalfai (Alfeu) e Taddai (Tadeu) e Shimon the Kena'ani (Cananeu)

OS DOZE — TRANSLITERAÇÕES TT
- Βαρθολομαῖος = Bar-Talmai ("filho de Talmai"); Μαθθαῖος = Mattai (Mateus); Θωμᾶς = Toma (Aramaico "gêmeo"); Θαδδαῖος = Taddai (Tadeu). Σίμων ὁ Καναναῖος = Shimon the Kena'ani — do aramaico qan'ana ("zeloso"), i.e. um Zelote (assim Lucas 6:15), não "de Caná." A TT mantém a transliteração e nota o sentido.
19

e Yehudah Ish-Keriot (Judas Iscariotes), que também o entregou.

YEHUDAH ISH-KERIOT — TRANSLITERAÇÃO TT
- Ἰούδας Ἰσκαριώθ = Yehudah Ish-Keriot. "Iscariotes" provavelmente = ish Keriot ("homem de Keriot," uma cidade judaica), distinguindo-o de outros portadores do nome comum Yehudah. ὃς καὶ παρέδωκεν αὐτόν = "que também o entregou" — o mesmo verbo (paradidōmi) usado de João (1:14) e depois da prisão de Yeshua.
20

E ele vem para uma casa; e a multidão se reúne novamente, de modo que eles nem sequer podiam comer pão.

A MULTIDÃO QUE COMPRIME (MOLDURA)
- Isto abre um "sanduíche" (intercalação): a aproximação da família (vv.20–21) emoldura a disputa de Beelzevul (Beelzebul) (vv.22–30) e retoma nos vv.31–35 — uma estrutura marcana característica.
21

E ouvindo isso, os que eram seus saíram para o agarrar, pois diziam que ele estava fora de si.

"OS SEUS … ELE ESTÁ FORA DE SI"
- οἱ παρ᾽ αὐτοῦ (hoi par' autou) = "os que eram seus" — mais naturalmente a sua família (retomada no v.31). ἐξέστη (exestē) = "ele está fora de si / fora de seu juízo." Marcos registra o alarme da família sem rodeios; a TT não o suaviza. (Fala da família; não divina.)
22

E os escribas que haviam descido de Yerushalayim (Jerusalém) diziam que ele tem Beelzevul (Beelzebul), e que pelo governante dos demônios ele expulsa os demônios.

BEELZEVUL — TRANSLITERAÇÃO TT
- Βεελζεβούλ (Beelzeboul) = Beelzevul — um nome para o governante dos demônios, provavelmente de um título semítico ("senhor da morada [exaltada]," ou polemicamente "senhor do esterco/das moscas"; cf. Baal-zebub, 2 Reis 1:2). A acusação dos escribas: os seus exorcismos são demoníacos, não divinos. (Acusação dos escribas; não divina.)
23

E chamando-os a si, ele lhes falava em parábolas: "Como pode o Satan expulsar o Satan?

"O SATAN" — *SATANAS

σατανᾶς (
satanas) = "o Satan" (Hebraico ha-satan*, "o adversário"), como em 1:13. A pergunta inicial expõe a incoerência da acusação: a divisão dentro do reino demoníaco seria autodestrutiva. Marcada como fala divina (Regra 30 — Yeshua falando, vv.23–29).
24

E se um reino se divide contra si mesmo, esse reino não pode subsistir;

UM REINO DIVIDIDO
- βασιλεία … μερισθῇ (basileia … meristhē) = "um reino dividido." A primeira de analogias emparelhadas (reino, casa) estabelecendo que a divisão interna significa colapso — refutando a acusação de Beelzevul.
25

e se uma casa se divide contra si mesma, essa casa não poderá subsistir.

UMA CASA DIVIDIDA
- οἰκία (oikia) = "casa/lar." O paralelo ao v.24; "casa" ressoa com a moldura da família (vv.20–21,31–35) — um eco deliberado dentro da intercalação.
26

E se o Satan se levantou contra si mesmo e está dividido, ele não pode subsistir, mas tem um fim.

"TEM UM FIM" — *TELOS

τέλος ἔχει (
telos echei*) = "tem um fim." A lógica completada: um Satan dividido contra si mesmo estaria acabado, não eficaz — logo os exorcismos não podem ser obra do Satan.
27

Mas ninguém é capaz, entrando na casa do forte, de saquear os seus bens, a menos que primeiro amarre o forte, e então saqueará a sua casa.

AMARRAR O FORTE
- τὸν ἰσχυρόν … δήσῃ (ton ischyron … dēsē) = "amarra o forte." O "forte" (Satan) deve ser amarrado antes que a sua "casa" possa ser saqueada — i.e. os exorcismos pressupõem que o Satan já está dominado. Ecoa Isaías 49:24–25 (tomar o despojo do poderoso).
28

Em verdade vos digo que todas as coisas serão perdoadas aos filhos dos homens — os pecados e as blasfêmias, quaisquer que blasfemem;

"AMÉM VOS DIGO" — *AMĒN

ἀμὴν λέγω ὑμῖν (
amēn legō hymin*) = "em verdade/amém vos digo" — uma fórmula introdutória solene. οἱ υἱοὶ τῶν ἀνθρώπων = "os filhos dos homens" (a humanidade). A amplitude do perdão é declarada antes da única exceção (v.29).
29

mas quem blasfemar contra o vento/espírito santo não tem perdão pela era, mas é culpado de um pecado eterno" —

CRÍTICO — BLASFÊMIA CONTRA O VENTO/ESPÍRITO SANTO
- εἰς τὸ πνεῦμα τὸ ἅγιον (eis to pneuma to hagion) = "contra o vento/espírito santo" — a barra de pneuma é mantida (o espírito divino, como em 1:8). οὐκ ἔχει ἄφεσιν εἰς τὸν αἰῶνα = "não tem perdão pela era" (aphesis novamente; eis ton aiōna = "para a era / para sempre"). ἁμαρτήματος αἰωνίου = "um pecado eterno." O contexto (v.30) define a blasfêmia: chamar a obra do espírito santo de obra de um espírito impuro. A TT verte o dito sem suavizar a sua severidade. Confiança: VERIFICADA [TEXTUAL]. Marcada como fala divina (Regra 30).
30

porque eles diziam: "Ele tem um espírito impuro."

CRÍTICO — O NARRADOR DEFINE A BLASFÊMIA
- ὅτι ἔλεγον· πνεῦμα ἀκάθαρτον ἔχει = "porque eles diziam: 'Ele tem um espírito impuro.'" O narrador fixa o "pecado eterno" a um ato específico: atribuir a obra do espírito santo a um espírito impuro. Pneuma akatharton ("espírito impuro") não leva barra — "vento" não está em vista. (Palavras dos escribas, relatadas pelo narrador; não divina.)
31

E vêm a sua mãe e os seus irmãos, e ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo.

A FAMÍLIA RETOMA (A MOLDURA SE FECHA)
- A mãe e os irmãos (a família dos vv.20–21) chegam e ficam do lado de fora — um contraste espacial com os que estavam "ao redor dele" (v.34). Marcos não nomeia aqui nem a mãe (Miryam) nem os irmãos; o foco é a posição relacional.
32

E uma multidão estava sentada ao redor dele, e lhe dizem: "Eis que tua mãe e teus irmãos e tuas irmãs do lado de fora te procuram."

"E TUAS IRMÃS" — NOTA TEXTUAL
- καὶ αἱ ἀδελφαί σου ("e tuas irmãs") está presente em algumas testemunhas (A, D entre outras) e ausente de outras (א, B, C, K, L); a TT a inclui em itálico como texto-incerto. A multidão transmite o pedido da família. (Fala da multidão; não divina.)
33

E respondendo-lhes ele diz: "Quem é minha mãe e meus irmãos?"

A PERGUNTA REDEFINIDORA
- τίς ἐστιν ἡ μήτηρ μου καὶ οἱ ἀδελφοί μου; = "Quem é minha mãe e meus irmãos?" Não uma negação da família, mas uma redefinição, respondida nos vv.34–35. Marcada como fala divina (Regra 30 — Yeshua falando).
34

E olhando ao redor para os que estavam sentados ao redor dele em círculo, ele diz: "Eis minha mãe e meus irmãos.

"OLHANDO AO REDOR" — O NOVO CÍRCULO
- περιβλεψάμενος … κύκλῳ (periblepsamenos … kyklō) = "olhando ao redor … em círculo." O gesto identifica os que estavam sentados ao redor dele como a família redefinida. Marcada como fala divina (Regra 30; continua até o v.35).
35

Pois quem faz a vontade de Deus, este é meu irmão e irmã e mãe."

CRÍTICO — FAMÍLIA REDEFINIDA PELA VONTADE DE DEUS
- ὃς … ἂν ποιήσῃ τὸ θέλημα τοῦ θεοῦ = "quem faz a vontade de Deus." O parentesco é reconstituído em torno da obediência a Deus em vez do sangue — "irmão e irmã e mãe" (sem "pai," talvez reservando isso para Deus). A TT verte a reconstituição sem extrair a inferência pelo leitor. Confiança: VERIFICADA [TEXTUAL]. Marcada como fala divina (Regra 30).

Glossário

Ἡρῳδιανοί (*Hērōdianoi*)HerodianosApoiadores da dinastia herodiana; aliados aos Perushim contr
ἐξουσία (*exousia*)autoridadeDelegada aos Doze (3:15); cf. 1:22,27; 2:10.
δώδεκα (*dōdeka*)dozeEvoca as doze tribos de Israel.
Βοανηργές (*Boanērges*)filhos do trovãoA própria glosa de Marcos de um apelido semítico.
Βεελζεβούλ (*Beelzeboul*)BeelzevulUm nome para o governante dos demônios (cf. Baal-zebub, 2 Re
σατανᾶς (*satanas*)o SatanHebraico ha-satan, "o adversário."
πνεῦμα (*pneuma*)vento/espíritoBarra para o espírito santo (3:29); "espírito impuro" (3:30)
ἀμήν (*amēn*)em verdade / amémFórmula introdutória solene (3:28).
τὸ θέλημα τοῦ θεοῦ (*to thelēma tou theou*)a vontade de DeusO critério da família redefinida (3:35).

Complementar — padrões ao longo do capítulo

RASTREAMENTO ENTRE CAPÍTULOS (BH -> Marcos)
Êxodo 20:8–11 / Deuteronômio 5:12–15 -> Marcos 3:4 — sábado e vida:

ElementoLei do sábado da BHMarcos 3:4
Mandamentodescansar no sábado(pressuposto)
Princípio extraídodescanso, libertação, vida"fazer o bem … salvar uma vida" prevalece
Pergunta postabem vs. mal, salvar vs. matar


Yeshua enquadra o sábado em torno de preservar a vida — coerente com a razão do descanso-como-dom (Dt 5:14–15) em vez do descanso-como-restrição.

As Doze Tribos -> Marcos 3:14–19 — "ele fez doze":

ElementoDoze Tribos de IsraelMarcos 3:14
Númerodoze filhos/tribosdoze designados
Funçãoconstituir Israelconstituir um novo núcleo em torno de Yeshua
Simbolismopovo da aliançapovo reconstituído (implícito, não declarado)


Isaías 49:24–25 -> Marcos 3:27 — saquear o forte:

ElementoIsaías 49:24–25Marcos 3:27
Imagemtomar a presa/o despojo do poderososaquear a casa do forte
CondiçãoYHWH contende e resgatao forte deve primeiro ser amarrado


Os exorcismos pressupõem o "forte" (Satan) já dominado — o despojo só pode ser tomado depois do amarrar.



FIM DE MARCOS 3 — A TRADUÇÃO TRANSPARENTE (PORTUGUÊS BRASILEIRO)

"Uma tradução sem nada oculto."